Relato do parto

O parto de Lívia foi cesária, não por escolha, mas por necessidade. Eu tive contrações fortes com amolecimento do colo do útero a partir da 20a semana de gestação e, com isso, tinha confiança de conseguir um parto normal, mas não foi assim que aconteceu.
As minhas contrações pioraram muito no decorrer das semanas até a 37a semana, quando não conseguia nem mais dormir de tanta dor, parecia que minha barriga iria rasgar em cada movimento meu.
Minha médica pediu um exame chamado cardiotocografia, exame este que afere as contrações, sua intensidade, os batimentos cardíacos do bebê e seus movimentos. No exame deu pra notar que, cada vez que eu tinha uma contração, o batimento cardíaco da Lívia baixava e ela não conseguia recuperar com eficiência até a próxima contração, ou seja, ela estava ficando cansada de tanto aperto. Fizemos esse exame numa 5a feira e a médica, não gostando do resultado, pediu que fosse repetido no domingo. Domingo??? Achei super estranho a médica marcar um exame no domingo, já comecei a pensar que realmente algo não estava muito legal.
Voltamos no domingo que as contrações estavam piores e os batimentos da bebê mais comprometidos. Foi feito um exame de toque e nada de dilatação, nada de amolecimento do colo, ou seja, nenhum sinal de paro normal. As contrações não eram efeitivas, elas apertavam minha barriga de um lado para o outro e não de cima para baixo, o que faria a bebê encaixar no canal de parto. A médica foi categórica: não dá mais pra esperar, a Lívia nasce amanhã!
Senti um misto de alegria e apreensão, queria um parto normal, mas as coisas caminharam para a cesária, mesmo com todas aquelas contrações. Não posso afirmar para vocês que a decisão da médica foi a melhor, que realmente não dava para esperar mais um pouco, que a cesária era a opição certa naquele momento. Quem tem coragem de ir contra a decisão médica e correr o risco de prejudicar seu bebê? Eu não tive!
Fomos bem cedo para a maternidade e a Lívia nasceu as 8:29 do dia 10 de dezembro de 2012 pesando 2790 gramas e medindo 47 cm! Foi uma alegria gigante poder sentir minha filha, sentir seu cheiro, ver seus olhinhos me reconhecendo! Senti um amor imenso por ela e pelo meu marido, por estarmos juntos nesse momento mágico, por subirmos mais esse degrau na nossa vida!
O parto foi tranquilo, mas confesso que a recuperação da cesáriana não é nada mágico, dói pra caramba, é ruim pra sentar, pra deitar, pra amamentar, e ainda tem que cuidar do curativo. Tive dor por mais de 40 dias, tive alta médica, mas ainda sentia dor. Não é legal, mas também não foi o fim do mundo.
Tivemos alguns problemas na alta médica da Lívia, mas isso é assunto para outro post.
Bom, depois dessa experiência posso dizer que nem sempre as coisas saem como o planejado, mas que a nascimento de um filho é uma emoção indescritível.
Existe muitas campanhas em pró do parto normal, o mais natural possível e sou super a favor disso. Acho que devemos mesmo deixar a natureza agir e interferir o mínimo possível. Também sei (e senti na pele) que as mulheres que fazem cesária sofrem preconceito. Preconceito por não quererem sentir dor, por oferecerem mais risco para os bebês, por fazerem um parto hospitalar, medicamentoso, cirúrgico e nada natural. Mas como mãe e ex-gestante que precisou de uma cesária acho que essa hostilidade com essas mães é muito cruel, eu não fiz cesária por gosto, mas não sou menos mãe por ter precisado de uma. E mesmo aquelas que decidiram pela cirurgia não são menos mães ou mães menos amorosas por isso.
Sou militante do parto natural, mas peço que as pessoas sejam mais carinhosas e solidárias às mulheres que precisaram ou optaram pelo parto cirúrgico. A sociedade ainda precisa de muitas mudanças para que a gestante se sinta segura e posso dar a luz seus filhos naturalmente, sem medo e sem precoceito.
Ainda vivemos em uma sociedade que valoriza a medicalização, a intervenção médica, a analgesia e anestesia. Se escutamos que sentir dor é coisa de animais, que não podemos reclamar das dores do parto porque "fazer foi bom" e muitos obstetras se recusam a realizar o parto por ser no feriado ou na madrugada, precisamos de muitas mudanças para que a mulher se sinta segura de parir seus filhos de forma mais humana e feminina.
 

Um comentário:

  1. Infelizmente a mulher não tem conseguido ter uma voz ativa na decisão de como se dará o nascimento de seu bebê. Essa decisão parece ser dela, mas a classe médica e os planos de saúde ainda interferem na realização desse sonho.
    Marisa

    ResponderExcluir